ATERRAMENTO
Por diversas vezes, o radioescuta encontra problemas técnicos em seu caminho, que muitas vezes são mais simples de serem resolvidos do que pode parecer. O aterramento do seu sistema de escuta é uma destas situações, que está entre as mais importantes de todo o processo na maioria das vezes, sequer é mencionada entre os problemas mais comuns que o impedem de realizar boas sintonias.
É importante lembrar que desde os primórdios da criação do rádio, o sistema de escuta é dividido em duas partes: o receptor e sua antena. Para cada lado destas partes, encontramos características intrínsecas que garantem a otimização destes equipamentos, e estas regras são válidas para quaisquer situações, desde receptores simples e muito modestos, às antenas muito sofisticadas e providas de recursos mais avançados. O aterramento do sistema é nada mais, do que a base de equilíbrio entre uma boa antena, que capta uma grande quantidade de rádiofrequências, e o receptor, que por sintonia, separa uma porção delas, e descarta pelo aterramento, o excesso de sinais que não são aproveitados durante o processo. É aí que descobrimos o quão importante é o nosso ponto de Terra, já que ele faz parte de um processo que envolve nosso receptor e nossa antena, e a maioria dos radioescutas sequer percebe a importância deste processo. O aterramento é o ponto pelo qual todo excesso de sinais e ruídos eletrostáticos é desviado do receptor para a Terra, e com isso, existe uma considerável melhoria nas nossas captações. Os receptores podem possuir ou não este ponto de aterramento, mas nada impede-nos de promover estas conexões como veremos detalhadamente a seguir.
Do aterramento em sí:
O ponto de aterramento nada mais é do que uma estrutura metálica qualquer (um eletrodo, bastão, pedaço de metal, cano de ferro etc) que deverá ser instalada (enterrada), no solo e com isso, teremos um ponto por onde os excessos de sinais e ruídos podem drenar naturalmente para o solo. Este aterramento pode ser melhor compreendido conforme ilustra a figura.
Neste sistema, vemos que existem enterrados no chão, dois eletrodos, que normalmente são comprados no comércio de material elétrico justamente para esta finalidade. Normalmente são feitos de fero e cobreados, e são vendidos no tamanho de 2 metros de comprimento. A espessura deles (D), é que vai estar sempre em contato com o solo, e é por ela, que determinaremos quão será a eficiência desta neutralidade. Conforme for a área de contato entre o eletrodo de neutralidade e o solo, maior será a capacidade deste aterramento de fornecer elétrons livres para o nosso rádio, e com isso, maior será a velocidade de descarga destas cargas. É por isso que estes aterramentos são feitos sempre de cabos flexíveis (cabos com muitos fios menores enrolados entre sí), porque a área de superfície dos cabos é sempre maior do que seria se este fosse de apenas um fio sólido.
Das conexões
O ponto de conexão entre o receptor e o nosso aterramento deve ser o mais eficiente possível. O bom aterramento é aquele que permite que as cargas elétricas percorram o circuito, ou pelo menor caminho possível, ou por melhor eficiência de efeito loop. Efeito loop é um fenômeno natural que ocorre quando um fio qualquer induz a seu redor, um campo magnético que pode irradiar uma energia chamada eletromotriz (pep). Como isso, se o nosso aterramento for ineficiente, muito comprido, der voltas (loops), ao redor do rádio, da mesa etc, ao invés deste cabeamento servir de aterramento, ele se transformará em uma antena, o que vai prejudicar demais nossos resultados.
Para evitar que isso aconteça, nosso aterramento deve ser sempre muito bem projetado. Em particular, recomendo que se use cabo de cobre específico para este fim, vendido no comércio com bitola (espessura) de 4, 5 ou 10 mm. Na minha estação de escuta, todo o sistema tem cabeamento de 10mm, que embora bastante robusto e pesado, garante uma eficiência bastante considerável.
Eu testei a eficiência do sistema, ligando um dos pólos de uma lâmpada de 100 Watts a este aterramento, e o outro pólo, liguei no fio de fase (+) da rede elétrica. O rendimento foi bastante satisfatório, já que eu consegui leitura de 96,4 volts numa rede que originalmente tem que fornecer 127 volts e esta energia de drenagem foi suficiente para fazer um ventilador doméstico funcionar normalmente, mesmo que sem muita força. A imagem desta ligação pode ser vista conforme segue.
Da conexão com o rádio:
Nosso receptor de mesa principalmente, deve possuir um pólo de aterramento pelo qual o devido cabeamento deverá ser instalado. Conforme as imagens seguintes, é importante ressaltar que estas conexões devem ser as melhores possíveis. Eu recomendo que sejam usados grampos de bronze, que não enferrujam e dificilmente precisam de qualquer manutenção. Estes grampos podem ser simples, duplos ou por tração, onde os cabos de aterramento são interligados entre sí, ou conectados ao rádio. Os cabos de ligação ou interligação entre diversos receptores devem ser estanhados com solda, para que mal-contatos ou ruídos não prejudiquem o sistema.
Dos rádios sem aterramento:
Não teremos problemas se nós mesmos produzirmos o pólo de aterramento, se nosso receptor for mais modesto. Nestes receptores, o pólo neutro (-) negativo das pilhas tende a ser o ponto mais eficiente de aterramento, ou podemos adaptar um plugue tipo P2 mono, daqueles usados nos fones de ouvido, onde desmontaremos o plugue e só utilizaremos a sua carcaça. Neste processo, iremos soltar um cabinho no neutro do plugue (carcaça), e ligar este plugue, sem o recheio, na saída do fone de ouvido. Podemos pegar até mesmo como eu fiz, um plugu comercial e quebrar as pontas dele, onde só utilizo a malha ao final de todo o processo. A imagem é mais do que ilustrativa, e eu tenho encontrado muito sucesso em todos os testes que realizo.
Este processo é interessante até mesmo nos casos em que nosso receptor é um Sony ICF_7600G/GR, Grundig Yatch Boy 400 ou similares, que não possuem pólo de aterramento e entrada de antena externa de FM, justamente porque não há aterramento para ligar a malha de uma antena externa. Daí resolvemos alguns problemas de uma vez só.
Das considerações finais:
Mesmo dispondo de um ótimo, excelente sistema de aterramento, não deixe seus rádios ligados nas antenas externas o tempo todo, principalmente em caso de chuvas ou acúmulo de eletricidade estática. Quanto melhor for seu sistema de aterramento, mais rapidamente sua antena externa se tornará um pára-raio perfeito, trazendo mais risco do que segurança para você e sua família. Não brinque com o aterramento com seus rádios ligados. Receptores mais modernos são cada vez mais sensíveis aos sinais de rádio, mas esta sensibilidade é justificada pelo uso cada vez maior de componentes que temem a eletricidade estática. Estas descargas acontecem o tempo todo e serão sempre desviadas ao aterramento. Por isso, desligue seu rádio antes de trocar o cabo de uma antena externa, ou for trocá-lo de local de escuta. Todos os cuidados por menos importantes que possam parecer, garantem nossa segurança e evitam avarias desnecessárias nos nossos equipamentos. Caso você suspeite de que sua antena externa esteja carregada com eletricidade estática, antes de ligá-la no receptor, encoste os pólos deste cabo de descida em um pólo de aterramento, um a um, principalmente se for conector UHF fêmea, padrão PL 259, comum nos receptores de mesa. O receptor agradece.
(Denis Zoqbi)